A cannabis medicinal já é uma esperança promissora no tratamento do Alzheimer. Os compostos da cannabis, especialmente o canabidiol (CBD), têm sido estudados por suas propriedades neuroprotetoras e anti-inflamatórias. Essas características são particularmente relevantes porque o Alzheimer está associado a processos inflamatórios e degeneração progressiva das células cerebrais.
O que a ciência diz sobre a cannabis medicinal?
Estudos experimentais sugerem que o CBD pode ajudar a reduzir a inflamação no cérebro e até interferir em processos ligados ao acúmulo de placas beta-amiloides — um dos marcadores da doença.
Além disso, há relatos de melhora em sintomas comportamentais, como:
- Agitação
- Ansiedade
- Distúrbios do sono
Esses efeitos, embora não revertam a doença, podem impactar diretamente a qualidade de vida de pacientes e cuidadores.
Universidades brasileiras lideram estudos pioneiros sobre a cannabis medicinal
As universidades brasileiras têm liderado estudos pioneiros que avaliam não apenas o controle de sintomas comportamentais, mas também o impacto direto da cannabis na função cognitiva e memória de pacientes com Alzheimer.
Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) concluiu que a cannabis medicinal pode tratar pacientes diagnosticados com Alzheimer. Foi a primeira vez que um estudo clínico focou especificamente na recuperação cognitiva e não apenas no manejo de sintomas neuropsiquiátricos.O ensaio clínico randomizado duplo-cego foi realizado com 28 pacientes de 60 a 80 anos, durante 26 semanas.
Em parceria com a UNILA, a UFSC conduz um dos maiores ensaios clínicos do mundo para avaliar substâncias da cannabis no tratamento de doenças neurodegenerativas.
A disciplina de Geriatria da Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ) participa de um ensaio clínico inovador que vai avaliar os efeitos da combinação equilibrada de canabidiol (CBD) e tetrahidrocanabinol (THC) na redução da agitação em pacientes com Alzheimer moderado.
A USP possui diversas frentes de pesquisa, desde estudos experimentais em laboratório até revisões sistemáticas e ensaios clínicos menores. As pesquisas investigam como o CBD e o THC podem reduzir a toxicidade das placas beta-amiloides (associadas à perda de memória) e proteger os neurônios através de propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes.
A Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, reconhecida mundialmente pela pesquisa com canabidiol, estuda a eficácia dos canabinoides no controle de distúrbios de sono e agitação em quadros de demência.
Já a Unicamp foca na biotecnologia e no mecanismo de ação celular dos compostos.
Pesquisas indicam que compostos da cannabis podem impulsionar a proliferação de células que permitem a comunicação entre neurônios, o que ajudaria a reduzir o risco ou o avanço do Alzheimer.
A Universidade de Brasília (UnB) também tem se destacado pela criação do Observatório de Cannabis, uma iniciativa para legitimar a produção nacional. Em parceria com associações de pacientes, a universidade realiza o controle de qualidade dos óleos e fornece suporte técnico para garantir que o tratamento de idosos com Alzheimer e Parkinson seja feito com substâncias puras e padronizadas.
A UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), através do Instituto do Cérebro (ICe), é um dos polos mais tecnológicos do país. Foi uma das primeiras a obter autorização da Anvisa para o cultivo controlado da planta para fins científicos. Realiza pesquisas pré-clínicas e clínicas para avaliar a eficácia de combinações específicas de canabinoides no manejo de distúrbios neurológicos, com foco na neuroproteção e segurança.
Para compreender melhor como a cannabis medicinal pode ser de uso terapêutico eficaz na Doença de Alzheimer, assista a entrevista do Dr. Drauzio Varella com o Professor Sidarta Ribeiro – um dos mais renomados neurocientistas, biólogos e escritores brasileiros da atualidade, professor titular e um dos fundadores do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (ICe-UFRN)







